Uma das instituições esportivas mais reconhecidas e importantes do Rio de Janeiro, o America não nasceu vermelho e branco e nem mesmo na Tijuca. Esses traços foram incorporados pela genética americana ao longo do tempo. Nossa gênese vem do já longínquo 18 de setembro de 1904 quando, descontentes com os rumos do Clube Atlético da Tijuca, agremiação que promovia corridas a pé, sete jovens se reuniram na casa de um deles, Alfredo Guilherme Koehler, na Saúde, para dar origem a uma nova instituição, que já surgia sob o exigente signo do inconformismo e da excelência.

Depois de discutirem por horas, Henrique Mohrstedt, Oswaldo Mohrstedt, Gustavo Bruno Mohrstedt, Alberto Koltzbucher e Jayme Pereira Machado e Alfredo Guilherme Koehler chegaram a uma lista com três sugestões. Oswaldo Mohrstedt sugeriu Rio Football Club, em homenagem à cidade que abrigaria a agremiação recém criada. Henrique Mohrstedt preferia Praia Formosa Football Club, em alusão ao nome da rua onde o clube seria fundado, mas as duas sugestões não agradaram, até que o anfitrião, em um momento de epifania, sugeriu America, em homenagem ao novo continente. Um nome que pegou e logo se espalharia por todo o país e o mundo graças à iniciativa de Belford Duarte.

FOTO HISTÓRICA DOS FUNDADORES DO AMERICA

Os sete fundadores do America: Alberto Klotzbücher, Oswaldo Mohrstedt.
Sentados da direita para a esquerda: Henrique Mohrstedt, Gustavo Bruno Mohrstedt, Alfredo Mohrstedt, Jaime Faria Machado e Alfredo Guilherme Koehler.

Naquele tempo o America era alvinegro, e de preto e branco fez seu primeiro jogo, contra o Bangu, no dia 6 de agosto do ano seguinte, na Rua Ferrer. Apesar de fundado no mesmo ano, o rival já era um clube estabelecido havia tempo: anos antes já praticava o futebol com operários e técnicos ingleses da Fábrica Bangu, que deu origem ao time. Em campo, uma previsível goleada de 6 a 1 para os adversários, em um resultado que em nada antecipava o equilíbrio dos duelos reservados para os próximos anos.

Coube ao acadêmico paulista de medicina, Amilcar Teixeira Pinto, capitão do America na partida, a honraria de ter marcado o primeiro gol da história do clube. O uniforme com camisas e meias pretas, calções e gravata branca resistiria até 1908 quando o clube, adotou o vermelho e branco por sugestão de Belford Duarte, influenciado pelo belo uniforme do Mackenzie College, de São Paulo.

A transferência definitiva para a Tijuca aconteceria mais tarde. Em dificuldades financeiras, o Haddock Lobo Football Club, agremiação que utilizava a surpreendente combinação marrom e branco e jogava os primeiros Campeonatos Cariocas, fundiu-se ao America em 1911. Desta maneira, o America passou a ser dono do estádio da Rua Campos Sales e ganhou mais reforços de qualidade, como o goleiro Marcos Carneiro de Mendonça. Neste momento, o America se tornou um clube maduro e estabelecido, pronto para conquistar os primeiros títulos que estavam por vir.