Guga treina para se recuperar da totalmente da lesão (Foto: Diego Andrade/AFC)

11/09/2020
Lesões, morte do pai e superação: Guga conta como foi processo até o volta aos gramados

Quando saiu a escalação do time Sub-20 contra a Cabofriense, uma novidade. O lateral-direito Guga, que ainda não tinha atuado no estadual, seria o titular. Para o jovem atleta de 20 anos, tudo aconteceu de forma rápida e surpreendente. Com as ausências de JP (lesionado) e Pethrus (suspenso), coube ao jogador ocupar esse espaço. Mas a história de Guga vai muito além do jogo. Por conta de lesões consecutivas, não pode atuar durante muito e ainda nem se que havia sido relacionado no campeonato. A história começou a mudar após uma palavra do capitão, Matheus Cordeiro:

- O nosso zagueiro e capitão, Matheus Cordeiro, veio falar comigo que eu vou jogar. Confesso que não estava acreditando que iria para o jogo, mas o Matheus confirmando. Quando o André avisou, fiquei um pouco nervoso, porque seria titular depois de tanto tempo sem jogar. Consegui fazer uma boa partida, segura, e agora é continuar o meu trabalho, feliz. Se aparecer outra oportunidade, vou agarrar.

Cria do futsal do America, Guga defendeu as cores do clube desde os quatro anos de idade. Morador da Tijuca, o jovem sempre teve uma identificação com o clube. Depois de uma passagem pelo Tigres, retornou ao clube nesta temporada para disputar o Campeonato Carioca Sub-20. Contudo, por conta da pandemia de Covid-19, não pode atuar no início. Neste período, algo pior aconteceu. Durante um dos treinamentos para manter a forma física em casa, acabou tendo dois estiramentos no músculo posterior da coxa. Depois de fazer fisioterapia durante um mês, novamente outro estiramento, há menos de 4 dias para o retorno da Mecão, o tirou de praticamente todo o estadual. Naquele momento, o lateral pensou em desistir:

- Sinceramente, na minha terceira lesão, quando estourou, na quinta, ao descobrir que estava 4 centímetros abertos, eu pensei em desistir do futebol. Eu não entendia o motivo de eu ter me dedicado, de estar me cuidando, me alimentando da forma correta e ter acontecido isso. Naquele momento, passou uma interrogação na cabeça e eu sem saber qual era o propósito disso. Eu vinha para fisioterapia feliz, mas um pouco desanimado por ver meus colegas jogando e eu não podendo estar com eles. Mas, futebol é assim: Quando a oportunidade aparece, tem que agarrar, senão já era – ressaltou Guga.

Veio a infeliz eliminação na Taça Guanabara e o time “ganhou” duas semanas para treinar. Neste período, após uma dividida em treino, mais uma lesão. Após o ocorrido, Guga dividiu a rotina em recuperação caseira e o tratamento com nosso fisioterapeuta, Darlann Lemos, a quem o lateral sempre enfatiza ao falar sobre sua recuperação. Mesmo não estando 100%, Guga sempre contou com o apoio da Comissão Técnica e dos companheiros. Após a partida, o jovem avaliou de forma positiva sua atuação:

- Estava conversando com o Darlann, que trabalhou comigo para que eu pudesse me recuperar da lesão, que a minha estreia foi uma surpresa para todos. Acho que todos se surpreenderam com o que eu apresentei, com a minha vontade, com a minha segurança, com a frieza que eu estava.

Muito da sua força para superar as lesões e os problemas vem da relação com seu pai, que faleceu em 2016. Vem, no presente, porque, mesmo não estando mais fisicamente próximo, espiritualmente Guga tem a certeza de que o pai está sempre consigo:

- Antes do jogo, eu fecho os olhos e penso no meu pai, sentado na arquibancada, de pernas cruzadas, tomando o seu refrigerante e dizendo “só joga, fica tranquilo”. Eu só quero entrar em campo com alegria.

O senhor Roberto Torres era o maior incentivador de Guga para continuar buscando o sonho de ser jogador profissional de futebol. Depois da morte, o lateral pensou em desistir de tudo, mas conseguiu forças para prosseguir:

- Meu pai era o meu parceiro, sempre me trazia para o America. Em 2016, eu estava em São Paulo, tinha acabado de sair do clube, e estava me preparando para morar lá quando o meu pai faleceu. Naquele momento, pensei em desistir de tudo. Larguei o futebol. Demorou um tempo para eu cair na real. Ele faz muita falta, mas tudo me serviu como experiência para amadurecer. Ele não está presente fisicamente, mas espiritualmente sei que está aqui comigo.

Com o apoio dos amigos, da família e de todos aqueles que acreditam no seu potencial, acabou dando a volta por cima e retornou aos gramados. Agora, independentemente se continuará ou não no clube, Guga só pensa em agarrar as oportunidades que virão.

- Eu não sei o que pode vir para frente. Eu sou 2000, do último ano, não sei se continuarei, mas é a questão de oportunidade. O que tiver que ser, será.