01/04/2015
Vice administrativo fala sobre evolução estrutural e de procedimentos no Giulite Coutinho

Após ser eleito Presidente do Conselho de Administração do America Football Club para o triênio 2015-17, Léo Almada, seguiu implementando diversas melhorias no Estádio Giulite Coutinho. Para que as mesmas pudessem ter êxito, o mandatário rubro indicou conselheiros íntegros, de sua confiança, para exercerem cargos na administração da arena de Mesquita. No topo da hierarquia da equipe de administração do clube, está o Vice-presidente de Administração e Recursos Humanos, Ricardo Baptista, que comentou sobre os avanços estruturais, que aconteceram, estão em curso ou vão iniciar, e de procedimentos, que passam - ou passarão - a ser adotados nos jogos do America em sua casa.


Quais melhorias foram feitas no Giulite Coutinho pela atual administração do clube?

Desde que o presidente Léo Almada assumiu o America já foram feitas diversas mudanças no estádio. Além da manutenção necessária pelo desgaste do Giulite Coutinho, diversas melhorias estruturais aconteceram. Mudança do gramado, criação de uma sala médica, reformas do refeitório, do alojamento dos atletas, das cabines de imprensa, das salas da administração e do futebol, construção de poços artesianos, instalação do sistema automatizado de irrigação (do gramado), aquisição de máquinas industriais para a lavanderia, entre tantas outras coisas.

Mais melhorias vão acontecer?

O Giulite Coutinho é relativamente novo, tem 15 anos, mas precisa se adequar às novas realidades e exigências da lei, caso contrário, fecha. Por exemplo, estamos fazendo uma nova subestação para adequar a iluminação do Estádio aos padrões exigidos pela TV e semana passada tivemos a aprovação de nosso projeto de acessibilidade "com louvor" pelo Ministério Público.

Como a administração atual do clube vem atuando?

Nessa gestão estamos criando o conceito de "clientes". O futebol é cliente da administração do estádio e nossa obrigação é fazer de tudo para que o futebol do America nos leve de volta à primeira divisão. Como não temos um expert em "engenharia", o presidente Leo Almada criou uma nova diretoria que ficará responsável por todas as questões de infra-estrutura e, com isso, a administração passa a ser "cliente" dessa diretoria. Isso quer dizer que o Saback, engenheiro, torcedor e conselheiro do clube, está montando uma estrutura de pessoal para cuidar de todos os projetos de "engenharia". Ele está fazendo o levantamento de todas as necessidades e, depois disso, teremos um plano diretor, logicamente, priorizando as exigências da lei e as urgências.

Com a criação desta nova diretoria, como fica a estrutura hierárquica da administração do estádio?

Continua a mesma, sendo que, a partir de agora, teremos um setor de engenharia que cuidará da infra-estrutura. A parte operacional continuará a cargo do conselheiro Gerson Viana, que também tem larga experiência em administração e vem fazendo diversas mudanças e melhorias no dia-a-dia do nosso estádio.

Muitas melhorias aconteceram e outras estão por vir. Qual seria o principal desafio desta administração?

Existem muitas dificuldades. Primeiro temos um estádio que não arrecada, que tem um custo fixo que ultrapassa R$30 mil/mês. Nosso desafio é conseguir criar receitas sem perder a nossa meta: dar suporte para o futebol levar o America à primeira divisão. Não há como se cortar custos até mesmo porque precisamos de mais funcionários no Giulite Coutinho, para dar o conforto que torcedores, imprensa e o futebol precisam.

Como espera conseguir receitas?

Minha esperança é conseguir patrocínios locais para serem colocados no Giulite Coutinho. Só que é muito difícil obter esse apoio nesse momento, na Série B do Estado. De qualquer forma, estamos buscando criar receitas. Por exemplo o estacionamento, que nos dias de jogos arrecada o equivalente a quase 30% da arrecadação da venda de ingressos. Algumas pessoas reclamam, mas precisam entender que é daí que tiramos o "sustento" do GC. O bar ainda está engatinhando. A receita da escolinha America do Amanha, que voltará em breve, no nosso entender dever servir para pagar os custos do estádio para mantê-la, e, o restante, deve servir para usar na base do clube. Se bem que isso é o que pensamos ao encararmos cada parte do America como centros de custos.

E as rendas dos jogos, não ajudam a pagar os custos?

Nos dois jogos que tivemos em casa, ficamos devendo R$1 mil à federação. Se colocarmos os custos da ambulância, luz e quadro móvel, o prejuízo, por partida, ultrapassa R$10 mil. E a gente ainda enfrenta outros problemas. Temos que arcar com outros custos, como os de confecção, seguro e demais por cada ingresso, exigidos por lei. Todo o ingresso vendido, possui um seguro. Caso aconteça algum acidente com o torcedor, o seguro cobre, caso contrário, quem vai pagar é o clube. Por isso, venho batendo nessa tecla: tirando o pessoal que estará trabalhando, só se entra no estádio com ingresso na mão.

Não será permitida a entrada de convidados, sem ingresso?

A atual administração aboliu a figura do "carona". Para atender ao departamento de futebol, nós preparamos credenciais que são distribuídas aos membros das comissões técnicas e parentes de jogadores. A presidência também tem um número de convites para ser fornecido aos seus convidados.

E quanto aos torcedores mais carentes?

Da mesma forma que estamos fazendo com as credenciais estamos tratando essa torcida que não tem condições de pagar seus ingressos. Eles não vão ganhar credenciais (por jogo), vai ser melhor que isso. Vamos torná-los realmente torcida "organizada".

Poderia dar detalhes?

Nós preparamos um sistema que conterá os dados de todos eles. Os torcedores serão cadastrados. Vamos tirar a foto de todos e emitir uma carteirinha. Da mesma forma que acontece com as credenciais, eles irão trocar pelo ingresso e só entrarão mediante a apresentação de ambos (ingresso e a carteira) na roleta.

Acredita que isso vai funcionar?

Nós dessa administração só iniciamos algo que acreditamos. Na partida contra o Ceres eu chamei o pessoal da torcida pela segunda vez e expliquei essas e outras coisas. Passei os formulários para o "chefe" da torcida e espero contar com o apoio dele e dos demais. Deixei claro que para o jogo diante da Portuguesa eles não entrarão se não portarem as carteirinhas. Não é por maldade ou por não querer que eles frequentem, é por necessidade. Queremos evitar evasão de renda, importunar os torcedores que chegam num horário mais próximo início do jogo, etc. Principalmente, precisamos começar a conscientizar esse torcedor da importância dele para o America. Que ele é respeitado e que o America, e todas as pessoas que estão no clube, quer sejam funcionários, seguranças ou jogadores, merecem o mesmo tratamento de respeito que queremos dar a ele.

Para finalizar, poderia deixar uma mensagem aos torcedores do America?

Sei que todos me conhecem de arquibancada. Desde que iniciei o trabalho na vice-presidência administrativa não posso mais ficar onde eu sempre gostei de assistir os jogos. Dos quatro gols marcados no nosso estádio em 2015, só assisti ao primeiro 3 a 0 sobre o Ceres. Espero poder um dia voltar a sentar na arquibancada e gritar Sangue e gol com todos vocês. Estou dizendo isso para deixar claro que não é porque estou na diretoria que deixei de ser torcedor. Estou pronto para receber sugestões e críticas. Muitos torcedores tem meus telefones, são meus amigos em redes sociais, etc. Estou pronto para receber a ajuda de quem puder ajudar. Cito o exemplo de dois torcedores que estão de braços dados conosco: Elton e Carlinhos Careca. O America é um corpo e cada um de nós, dirigentes, funcionários e torcedores, tem uma responsabilidade, uns menores e outros maiores, para mantê-lo vivo. Essa consciência é fundamental para resgatar o nosso America que, na minha opinião, é grande demais e não cabe um uma segunda divisão do Rio.