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10/03/2021
Entrevista especial com Josué Teixeira


Treinador Josué Teixeira reunido com o elenco do clube no dia da sua apresentação. Foto: Vinicius Lima / AFC

O técnico Josué Teixeira, há pouco mais de um mês no cargo, falou sobre as novidades que pretende implementar no clube e na estrutura do futebol. O treinador destacou também, o que observou em sua análise dos garotos da base e como será montado o elenco para o restante da temporada. Confira na entrevista especial.

Como foi a sua avaliação da fase final do America na Fase Preliminar do Estadual?
Se você for comparar, peguei a equipe um dia antes de começar o segundo turno e obtivemos os mesmos pontos do primeiro, que teve um mês para trabalhar. Também não é o ideal, mas obtivemos isso aí. E teve jogos importantes, acho que tivemos bons resultados. O primeiro jogo contra o Sampaio Corrêa nós não podíamos empatar, empatamos, mas a melhor chance do jogo foi a nossa. O jogo contra a Cabofriense estava com um placar e com o jogo bem controlado, estava 1 a 0 para a gente e depois do empate tornou-se um jogo muito aberto e as duas equipes tiveram chances de fazer. Nós tivemos duas bolas na trave. Nova Iguaçu foi um jogo atípico, tivemos duas expulsões, então, isso acabou dificultando muito o jogo, mas dali em diante, começamos a fazer uma nova trajetória. Começamos a utilizar mais jogadores da casa, atletas que não haviam tido oportunidades de jogar ainda, e dali foi possível achar alguns valores interessantes. Nós estamos ainda resolvendo isso, quem irá continuar ou não, estamos realizando todo esse processo. E isso é muito interessante, porque quando os jogadores não têm nada, não tem perspectiva nenhuma, o America é o maior clube do mundo, mas quando você consegue colocar uma frentezinha, já consegue fazer algumas situações positivas no jogo, já tem outros interesses, outras buscas e tudo mais. Então, isso aí é um outro ponto desse processo nosso de avaliação dos jogadores. Ainda assim, acho que foi um rendimento bem legal, houve descoberta de novos jogadores, como o Agú que veio da base, não tinha oportunidades de jogar e veio jogando, e aí tem outras revelações que devemos falar mais para frente de outros jogadores.

Você pode nos adiantar como será esse processo de preparação para a pré-temporada da A2?
Para fazer este processo todo, nós dividimos o futebol em 4 níveis. Nível A: São jogadores consagrados nacionalmente, então é um jogador que eu vou falar para você e tu vai falar assim não esse jogador aqui eu conheço, jogou em tal lugar, tal lugar e tal lugar. O nível B: É um jogador num projeto estadual. eu vou te falar o jogador e você vai falar: ah, eu conheço esse jogador, jogou no Rio e tal (…). O nível C: São jogadores jovens com potencial de crescimento e aí você tem alguns pontos, inclusive no nosso de jogadores e o nível D são atletas que estarão em nosso grupo para compor o nosso elenco de trabalho, podem ser titulares ou reservas, vai depender muito do que vai acontecer nesse processo deles. Então, era importante ter a definição desses 4 níveis para você poder buscar até mesmo para a renovação de jogadores. O Deola é um ídolo da torcida. A primeira coisa que me pediram foi a renovação do Deola, também renovamos com o Polegar que foi um jogador revelado no America, que veio da base do clube, saiu e acabou voltando agora. O Lucão, que já é um ativo do clube há muito tempo, é um jogador identificado com a torcida. O Cristian Lucca, que é um zagueiro que chegou para disputar a última competição e que se revelou muito bom, um líder, positivo e o Paulo Henrique. E aí eu começo a te falar, se você parar para pensar nos níveis que eu te falei, você vai começar a encaixá-los, dependendo da situação. E o Paulo Henrique era um jogador importante, então, dentro desse grupo de jogadores contratados do trabalho da Seletiva, nós escolhemos estes 5 jogadores. E buscamos dentro do elenco, dos jogadores formados na casa, outros jogadores. Aí você tem as chances, aumento de tempo de contrato, isso era uma preocupação, porque o America perdia muitos jogadores, terminava o contrato com a base, saíam e o America não via nada, perdia os seus atletas. Então, tivemos essa preocupação de aumentar o tempo de contrato desses atletas. Aí hoje você tem jogadores com contratos até Dezembro de 2023, que é o Caio, o Marquinhos, o Guilherme, o Magno que chegou agora, é um jogador jovem, não foi formado aqui, mas tem um contrato já antigo, o Agú, o Renan Costa, e aí nós fizemos o primeiro contrato do Teteu, do Coutinho, do Baiano, então são atletas que têm um bom potencial e que o America vai começar a desenvolver. O America vai deixar de ser um time de temporada. O America vai ser um time que vai ter uma programação para ele fazer as conquistas. Não podemos em todo campeonato mudar todo o elenco. Então, vai ter um princípio em que você já terá uma base formada e trará reforços pontuais. Pensando em nosso orçamento, e num acordo com o presidente, nós emprestamos esses jogadores e o valor que nós pagaríamos de salários para que eles estivessem aqui, nós vamos reverter em material para o clube. Então, já está sendo feita uma reformulação na academia com este investimento, vai ser feito agora a compra de GPS para que os atletas possam ter um acompanhamento, a preparação física vai ter uma evolução maior porque vai conseguir medir, avaliar o rendimento do atleta em treinamentos e jogos, então iniciaremos uma engrenagem de evolução constante no clube, não aquela que movimenta, logo para, e depois começa tudo novamente. Também acho que precisa haver uma escolinha aqui no clube, talvez ali no campo 2, quando não estiver trabalhando o Sub-20, em dois campos ali e ativar uma escolinha, a gente sabe que na Baixada Fluminense há muitos jogadores em formação e aí você começar a criar uma identidade do America, você recuperar o America, a criança que vem para a escolinha vai olhar para o estádio, vai olhar para o campo e vai se imaginar jogando ali. E com certeza haverá jogadores em formação para trabalhar nesse processo da escolinha. Estamos nesse processo constante, eu chego ao clube às 7h30 da manhã e estou saindo no final do dia, porque são muitas coisas a se resolver, muitas coisas para a gente encaminhar, projetar e o legal de tudo isso é que eu já peguei um caminho pavimentado, não estou pegando do nada, há uma estrutura que foi deixada pelo Dr. Marco Antônio e o presidente está apoiando todas essas ideias. Quando a direção apoia as ideias que um profissional traz, tudo se torna melhor e mais fácil para trabalhar. E não há vaidade, não é o Josué que vai mandar no futebol, eu não vou mandar em nada, tanto que eu não sou nenhum cara centralizador, os que trabalham comigo todos têm autonomia de fazer. Tem boas ideias? Traz, apresenta, faz, realiza. Eu não quero ganhar o mérito por ter feito isso. Então, quando o presidente autoriza, é mérito do presidente para o crescimento do clube. Tudo isso que envolve o futebol não é simples, é trabalhoso. E quando você tem um apoio para conseguir fazer, a gente fica muito feliz de estar juntos iniciando essa formulação.

Qual o perfil de jogador que o America deve contratar para a disputa da A2?
Dentro daqueles 4 níveis que eu te falei, o America precisa ter um camisa 9, uma referência que todo o mundo vai conhecer, a competição é difícil, então ela precisa ter algumas situações. Nós já temos no gol um goleiro que é nível A e que nacionalmente todo o mundo conhece. Então, a gente vai buscar agora um camisa 9 com essas características, no qual eu vou falar o nome e tu vai dizer assim: Eu sei quem é. Queremos essa referência. Eu até falei ao presidente: Legal o Deola ser ídolo do clube, mas é muito importante que tenhamos um camisa 9. Um jogador em que a criança vai querer fazer o gol igual, vai querer repetir o jeito de jogar. Falei também ele: Deola, acho legal você ser o ídolo, mas eu queria um 9 que fosse ídolo do clube, igual foi o Luizinho. Todo o mundo fala do Luizinho do America, ele jogou em vários clubes, mas todos se lembram do Luizinho do America. Um zagueiro em nível nacional também que vai te dar uma consistência defensiva, vai te dar um respeito maior. E eu não quero um jogador que venha para fazer só mais um contrato. Não, não é o meu objetivo. Eu quero um jogador que queira jogar a A2 e que queira jogar a A1. Eu quero um jogador que tenha interesse em jogar a Copa Rio e também tenha intenções de jogar um Campeonato Brasileiro. eu não posso ter um jogador que tenha interesse em jogar apenas essa competição e depois ver o que vai dar. Não. O cara tem de estar sonhando em ser o artilheiro da competição, o cara tem de estar pensando em ser o melhor zagueiro, que tenha um rendimento X, um goleiro que queira ser o menos vazado, precisamos de jogadores que tenham ambição.

Como será o trabalho de desenvolvimento dos jovens atletas do clube?
Sobre os jogadores da base, o meu objetivo é que eles trabalhem comigo. Porque eu estou vendo as deficiências e tudo o que vou poder melhorar no atleta. Se ele sair só para jogar uma competição, eu não vou poder ter um acompanhamento de nível de trabalho e de exigência que será feita para com esse atleta. ele vai ganhar em minutagem e vai ganhar em competição, mas ele vai deixar de crescer. E de acordo com a idade, talvez seja mais importante para mim poder desenvolver o atleta.

Se a gente conseguir trabalhar taticamente o time para ele poder marcar, se organizar e com a bola ter a criatividade de jogar, a gente consegue fazer com que esses jogadores se desenvolvam. Esse vai ser o meu trabalho com esse grupo de jogadores jovens que nós temos e agora nós vamos começar a trabalhar com o Sub-20 que vai se apresentar, há bons jogadores e nós vamos observar mais ainda e vamos começar todo um processo de captação.

Se você perguntar para todo treinador, ele vai falar assim para você: Ah, eu quero um time que marque bem, que faça gols e jogue bonito. Ok, este é o padrão, todo o mundo quer isso. É a chave, só que eu acho que tem de ser muito mais. Você tem que ter um grupo de jogadores determinados, um grupo de jogadores sem vaidades, jogadores que entendam, que queiram fazer, que abram a geladeira e vejam: A minha geladeira está vazia, ela não está cheia não, tenho que encher essa geladeira. Mas isso é um processo diário, isso não é um processo em que você estala o dedo e logo está realizado. É um processo de gestão de grupo. O psicólogo fará atividades em que possa gerar interação entre eles também. E aí você pode me questionar, isso não tem nada a ver com o time. Mas sim, tem a ver com o time, afinal, quando existe uma unidade na equipe, você cresce. Não adianta eu te falar que quero jogar com um time agressivo se eu não preparei o meu time agressivamente e os jogadores não se gostam. Porque se eu não gostar de você, eu vou deixar você fazer uma marcação alta e não vou fechar o espaço nas tuas costas. A tendência é eu culpar você e você me culpar. Então, por mais que eu tenha um conceito de jogo, eu preciso ter um querer de jogo dos jogadores. E eu vou encaixar um time que vai saber marcar lá na frente, vai saber se posicionar e ter uma transição rápida. Mas para que tudo isso aconteça, para que haja essa unidade dentro de campo, preciso primeiro tê-la fora. Em todo aquele trabalho de interação que existe com o grupo. E aí eu te digo, você fazendo isso, há 90% de probabilidades de atingir o sucesso, independente do seu sistema tático, da tua forma de jogar. Mas um time bem treinado e os caras se querendo, buscando ajudar uns aos outros, você consegue ter sucesso.

O que o torcedor do America pode esperar de você?
Eu sou um cara que acompanhei o America desde garoto, no sangue, na torcida, no grito, grito de guerra, participando. E temos de passar aquela imagem: Nós somos o America do Rio. Isso importa muito, é importante remarcar isso. O America tem essa marcação: Nós somos o America do Rio e isso importa muito. Significa demais, para que a gente valorize cada vez mais a marca e a sua torcida se torne cada vez mais apaixonada.




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