America Football Club

O Saci de Irajá: uma travessura que virou samba 

Maneco jogou no America entre 1942 e 1956 e integrou a linha de ataque rubra conhecida como "tico-tico no fubá" por conta da troca rápida de passes
Compartilhar
Maneco. Foto: Revista Esporte Ilustrado nº 536 (15/07/1948).

No folclore brasileiro, o Saci é conhecido pela irreverência, esperteza e habilidade de surpreender. Com seu gorro vermelho e suas travessuras, atravessa gerações como um dos personagens mais populares da nossa cultura. Não por acaso, ganhou uma data própria no calendário nacional: 31 de outubro.

No America, porém, existe um Saci especial. Um jogador que demonstrou destreza nos gramados e fez da bola sua principal companheira: Maneco, o eterno Saci de Irajá, conforme apelidara a imprensa da época.

Travesso em campo

Os torcedores rubros mais antigos contam que Maneco tinha um futebol marcado pela habilidade, agilidade e criatividade. Seus dribles desconcertantes justificavam o apelido. Além disso, tinha facilidade para deixar os adversários pelo caminho.

Dentro das quatro linhas, o Saci de Irajá fazia suas próprias travessuras. Assim, transformava cada apresentação em um verdadeiro espetáculo.

Maneco no America e na Seleção Carioca. Foto: O Globo Esportivo

Deu samba

Sua história, entretanto, não ficou restrita às arquibancadas e às recordações de quem teve a oportunidade de vê-lo jogar. Maneco também ganhou espaço na obra de um dos grandes nomes do samba carioca: Monarco.

Torcedor apaixonado do America, o baluarte da Portela transformou seu carinho pelo clube em versos na música America do Saudoso Lamartine. Na composição, recorda personagens e momentos marcantes da trajetória rubra:

“Lembranças de Carola e Danilo.
Futebol em grande estilo e do Saci de Irajá.
Daquele Tico-Tico no fubá.”

Ao citar o Saci de Irajá, Monarco não apenas recorda um jogador. Mais do que isso, eterniza Maneco na memória do America. É o olhar de um torcedor que reconhece a grandeza de um craque que se tornou o terceiro maior artilheiro da história do clube, com 227 gols marcados.

A referência ao jogador na música traduz o espírito de uma geração. Afinal, o talento dentro de campo também servia de inspiração fora dele. Dessa forma, o personagem do folclore ganhou seu representante rubro, enquanto os versos de Monarco mantiveram viva uma história que atravessa gerações.

Pra eternidade

Manoel Anselmo da Silva, o Maneco, nos deixou precocemente, aos 34 anos. Ainda assim, permanece presente nos versos, nas histórias e no sentimento de quem ama o America.

Porque o Saci de Irajá não é apenas uma lembrança do passado. É parte da história rubra. Um personagem eterno de um futebol que, como canta Monarco, era feito em grande estilo.

Relacionados

Newsletter

Scroll to Top